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Fim das férias
e o silencio da floresta
Fim das férias

Julho se foi e com ele as férias, teve minhas férias, teve férias escolares, acabou minhas férias mas as escolares continuaram. Não havia espaço vazio na minha mente para conseguir escrever a newsletter.
O solstício de inverno marca o fim de junho, o fim do outono, as vindouras férias de inverno e a proximidade do meu aniversário. Essa é a primeira newsletter escrita após os meus 40 anos. Não espere nenhuma grande mudança narrativa, ou qualquer mudança sequer.
Eu continuo sendo eu mesmo.
Se uma árvore cai na floresta e ninguém escuta
Ela faz barulho? Se eu posto um conteúdo e ninguém curte ou comenta, alguém leu?

Escrever sempre foi a maneira que encontrei de me livrar de algo que me atormenta. As ideias surgem na minha cabeça e me perseguem, me cegam, tiram o meu sono e chegam a me sufocar. Quando as coloco no papel, ou as digito no teclado, elas simplesmente se vão e assim tenho paz novamente. Enquanto as ideias me atormentam, a escrita é meu próprio eco, meu próprio 'barulho' de libertação. A validação externa, embora desejada, é uma segunda camada de existência
Quando escrevia peças para teatro a 30 anos atrás, o retorno era muito rápido e claro. Se o diretor gostasse, a peça entraria em cartaz, durante a apresentação eu poderia ver o público reagindo a cada frase que saiu da minha cabeça. Muitas vezes a reação não era o que eu havia idealizado ou pior, às vezes a frase não era a minha, mas sim um improviso do ator.
Produzir conteúdo para internet é como ser mais um num grande menu a la carte de opções, imagina comigo uma grande arena, com vários mini teatros, o público vai andando e vendo as opções de peças, por alguma razão eles escolhem sentar e assistir alguma daquelas. Muitos reagem a cada fala, temos sorriso, risada, tristeza, espanto e choro. Você ali no palco observa tudo e se alimenta daquelas reações. É a energia do palco! Mas alguns não se identificaram com a peça ou entraram sem querer, e assim, se levantam e saem. Essa energia do palco transforma-se em algo bem diferente no universo digital, onde o aplauso vira métrica e a conexão, um número.
Cada post onde perco um seguidor é como estar ali no grande palco onde uma pessoa da plateia por um motivo qualquer resolveu se levantar e ir embora. Foi o conteudo? Foi o que disse? Ela se ofendeu? Ela se foi e nem ao menos me disse nada.
As métricas das redes sociais são extremamente adictivas, é clicar em upload e em segundos você está lá observando o resultado, gozando a cada like, delirando a cada comentário e se entristecendo a cada um que parte e vai embora.
A ideias enquanto dentro de mim me atormenta, fora de mim são como um filho. Quero que cresçam, tenham vida própria, sejam boas para outros e que possam falar mais sobre ele, receber elogios e lidar com as críticas.
Se eu escrever e ninguém ler, nunca terá existido.
Sobre água e café
A água para café deixou de ser somente uma variável a ser considerada e se tornou mais um elitismo intelectual e financeiro.
Como variável, a água tem uma importância enorme no resultado do café, mas assim como o moedor é rodeado de dependes.
Com as últimas promoções da famigerada jarra zero water, muita gente acabou comprando sem saber exatamente a que se destinava. Somente pelo FOMO("Fear of Missing Out", em português "Medo de Ficar de Fora").
Desmineralizar a água é caro, a zero water é o método mais acessível e ainda assim custa caro. Outros métodos como osmose reversa tem sistemas a partir de 2500 reais. Mineralizar a água novamente, também custa caro, pode custar barato, porém demanda aprendizado e uma pequena habilidade técnica.
Tudo isso, tem como finalidade trazer à tona toda a complexidade que um café pode te entregar. Mas se você toma cafés mais simples, com pouca complexidade sensorial, vale a pena investir em remineralização de água?
Entender como a água afeta o café é importante, mas não deve ser um impeditivo para que você aprecie o seu café.
Dicas
O que estou ouvindo para preparar meu café: LP Refazenda
Na minha cabeceira: A crise da narração , sobre como nossa sociedade está perdendo o apreço por uma boa narrativa.
No meu origami: Finca Tamana - Red & Pink Bourbon by Tim Wendelboe.
Na minha flair: Ninho da Águia do Mantí
Meu setup completo https://linktr.ee/licio.
Obrigado por ter lido até aqui.